Resumo rápido: Desvende 5 mitos sobre anabolizantes com base na ciência.
Leitura recomendada: Avaliação clinica, física e antropométrica
5 mitos sobre anabolizantes que ninguém te conta (o que a ciência diz)
O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (o famoso “suco” ou “bomba”) é um assunto cercado de tabus, desinformação e promessas milagrosas nas redes sociais. Como professor e pesquisador, vejo muitos influenciadores propagando conceitos sem base científica, o que coloca em risco a saúde de quem busca apenas um “atalho” estético.
Hoje, vou desmistificar e explicar os cinco principais mitos sobre esse tema, trazendo evidências reais para que você entenda o que realmente acontece por trás dos shapes inexplicáveis.
1) “Anabolizante é só a cereja do bolo”
Este é, talvez, o maior mito das redes sociais. Muitos dizem que o hormônio só entra quando tudo (dieta, treino e sono) já está perfeito. A verdade dói, mas precisa ser dita: o anabolizante não é o detalhe, ele é um aspecto fundamental para atingir volumes e definições que o corpo natural simplesmente não alcança.
Um estudo clássico do New England Journal of Medicine comparou grupos que treinavam com e sem testosterona. O resultado foi surpreendente: o grupo que apenas tomou o suco e não treinou ganhou mais espessura muscular no tríceps do que o grupo que treinou pesado de forma natural. Isso mostra que o hormônio é um fator determinante e não apenas um “complemento”.
Um detalhe curioso deste estudo também foi a quantidade suprafisiológica de esteroide anabolizante androgênico (600 mg por semana). Porém, alguns usuários do suco chegam a usar uma quantidade superior, podendo passar de 1.000 ou 1.500 mg por semana. Isso, sem contar a combinação com outros fármacos. Por isso, eu afirmo que não é somente a cereja do bolo, é um fator determinante!
2) “Prescrição médica com fim estético é segura”
Muitos acreditam que, se há um médico prescrevendo, o risco é zero. Mito. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) é clara: o uso de anabolizantes para fins estéticos ou desempenho esportivo amador é desprovido de base científica e proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
O uso clínico existe, mas é voltado para doenças que causam catabolismo severo do tecido musculoesquelético, como sarcopenia severa ou hipogonadismo. Quando um médico prescreve para estética, ele ignora os riscos de morbimortalidade em favor de uma questão mercadológica (isso mesmo dinheiro!)
3) “Fazer TPC reduz todos os efeitos colaterais”
A famosa Terapia Pós-Ciclo (TPC) é vendida como a solução para “limpar” o organismo, mas a ciência não sustenta essa segurança. Na verdade, o que vemos é a polifarmácia: o usuário usa uma droga para o shape, outra para a ginecomastia, outra para a pressão e assim por diante. Essa mistura de hormônios, diuréticos e estimulantes aumenta consideravelmente o risco de morte. A TPC é uma prática empírica, não um salvo-conduto científico.
4) “Meu fornecedor é de confiança”
Comprar no mercado clandestino é uma roleta russa. Estudos de ciência forense internacional mostram que esses produtos frequentemente sofrem de:
- Contaminação: presença de substâncias nocivas que não estão no rótulo.
- Adulteração: o frasco diz ter uma dosagem, mas entrega metade (ou nada) do princípio ativo. Como não há controle sanitário, o risco de infecções e reações adversas graves é altíssimo.
5) “Mulheres não usam anabolizantes para estética”
Mito total. No Brasil, a cultura do “culto ao corpo” buscando o padrão de pernas volumosas e barriga definida levou a um aumento expressivo no uso feminino. Em uma pesquisa realizada pelo nosso grupo, encontramos uma prevalência de uso de cerca de 13% entre mulheres, um número muito superior à média mundial. O shape “inalcançável” de muitas musas fitness costuma ter o suco como base.
E para as mulheres alguns efeitos colaterais merecem destaque: aumento do número de pelos (facial, barba mesmo), pois é uma característica masculina, a voz pode ficar mais grave (aumento da espessura das cordas vocais), redução da mama e até a hipertrofia do clitóris (é uma região com muitos receptores androgênicos).
Conclusão
O meu papel aqui não é apenas técnico, é de responsabilidade. O uso de esteroides para fins estéticos não é um caminho seguro e nem uma “cereja no bolo”. É uma escolha estratégica que envolve riscos reais à saúde.
Referências
Abrahin OS, Sousa EC, Santos AM. Prevalence of the use of anabolic-androgenic steroids in Brazil: a systematic review. Subst Use Misuse. 2014;49(9):1156-62. doi: 10.3109/10826084.2014.903750
Abrahin OSC, Sousa EC de. Esteroides anabolizantes androgênicos e seus efeitos colaterais: uma revisão crítico-científica. JPhysEduc (Maringá) [Internet]. 2013;24(4):669-7
Abrahin, OSC. et al. Prevalência do uso e conhecimento de esteroides anabolizantes androgênicos por estudantes e professores de educação física que atuam em academias de ginástica. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 27-30, 2013
Bhasin S, Storer TW, Berman N, Callegari C, Clevenger B, Phillips J, Bunnell TJ, Tricker R, Shirazi A, Casaburi R. The effects of supraphysiologic doses of testosterone on muscle size and strength in normal men. N Engl J Med. 1996 Jul 4;335(1):1-7. doi: 10.1056/NEJM199607043350101. PMID
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FAQ
Não. Esse é um dos maiores mitos propagados em redes sociais. A ciência demonstra que os esteroides anabolizantes são um fator determinante, e não apenas um “complemento” final. Estudos comparativos mostram que o uso de testosterona, mesmo sem o estímulo do treinamento, pode resultar em ganhos de massa muscular superiores aos de indivíduos que treinam pesado de forma natural. Portanto, o hormônio atua como a base do resultado estético extremo, e não apenas como a “cereja do bolo”.
Não existe “uso seguro” para fins estéticos. Embora existam médicos que realizam tais prescrições, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) proíbem o uso dessas substâncias para desempenho esportivo amador ou estética. O uso clínico legítimo é restrito a patologias específicas, como o hipogonadismo ou a sarcopenia. Fora desses contextos, o risco de morbimortalidade é real e não é anulado apenas pela presença de um profissional.
A TPC é frequentemente vendida como uma forma de “limpar” o organismo, mas na prática acadêmica e clínica, ela é vista como parte de uma polifarmácia perigosa. O usuário acaba utilizando diversas outras drogas para mascarar efeitos colaterais (como ginecomastia ou hipertensão), o que aumenta a sobrecarga do organismo. Não há evidência científica de que a TPC neutralize os riscos de longo prazo associados ao uso de doses suprafisiológicas.
O mercado clandestino não possui controle sanitário. Análises laboratoriais de ciência forense indicam que esses produtos são frequentemente adulterados ou contaminados. Isso significa que o usuário pode estar injetando substâncias que não constam no rótulo, doses muito abaixo do anunciado ou até mesmo agentes infecciosos, tornando o processo uma verdadeira roleta russa.