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Cintura Hipertrigliceridêmica Risco Cardiovascular

Cintura Hipertrigliceridêmica: Identifique o Risco Cardiovascular

Resumo rápido: Neste artigo você entenderá como identificar o risco cardiovascular e como o exercício físico atua na sua redução.

Cintura hipertrigliceridêmica: como identificar o risco cardiovascular na prática

Você já ouviu falar no fenótipo da Cintura Hipertrigliceridêmica? O nome pode parecer um trava-língua (eu tive que treinar bastante para não travar rsrsrsrrsrs), mas o conceito é uma das ferramentas mais poderosas e baratas para quem deseja realizar uma avaliação física que vai muito além da estética.

Como sempre defendo aqui no portal, um avaliador “fora da curva” é aquele que consegue aliar dados antropométricos simples a marcadores clínicos para entregar um diagnóstico real de saúde ao seu aluno. Hoje, vou te mostrar por que é importante medir a cintura + triglicerídeo e como a união desses dois fatores acende um sinal de alerta para o coração.

O que é o fenótipo da cintura hipertrigliceridêmica?

Basicamente, é a combinação de dois fatores que, juntos, potencializam o risco cardiometabólico:

  1. Cintura Elevada: Indica acúmulo de gordura visceral, que é metabolicamente ativa e está diretamente ligada à inflamação sistêmica e resistência à insulina.
  2. Triglicerídeos Elevados (Hipertrigliceridemia): Um marcador clínico de que o metabolismo de lipídios não está funcionando como deveria.

Quando o seu aluno apresenta esses dois fenótipos simultaneamente, ele entra em um grupo de risco para doenças como pré-diabetes, esteatose hepática (gordura no fígado), dislipidemias e até infarto. Para se ter uma ideia da gravidade, estudos mostram que em idosos a prevalência desse fenótipo chega a 23%, ou seja, um em cada quatro idosos pode estar convivendo com esse gatilho para doenças graves.

Cintura Hipertrigliceridêmica Risco Cardiovascular: gordura viceral

Como classificar o seu aluno (critérios técnicos)

A beleza dessa avaliação é a simplicidade. Você só precisa de uma fita antropométrica e do resultado de um exame de sangue (ou um teste de punção digital validado).

De acordo com as diretrizes mais aceitas (veja as referências), os pontos de corte são (os pontos de corte podem mudar de acordo com as diretrizes e etnia):

  • Para Homens: Cintura ≥ 90 cm + Triglicerídeos ≥ 150 mg/dL.
  • Para Mulheres: Cintura ≥ 85 cm + Triglicerídeos ≥ 150 mg/dL.

Nota técnica: Não confunda a medida da cintura com a do abdômen. A padronização da medida é fundamental para a precisão do dado.

Por que isso agrega valor ao seu serviço?

Ao identificar a cintura hipertrigliceridêmica, você deixa de ser o professor que “só mede dobra” para ser o profissional que monitora o risco cardiovascular.

  • Ação do Exercício: Você pode explicar ao aluno que o exercício físico, especialmente os de maior intensidade, é excelente para mobilizar a gordura visceral e reduzir os níveis de triglicerídeos.
  • Monitoramento Clínico: Alunos com esse fenótipo costumam ter menor HDL (o colesterol “bom”, que gera proteção das artérias) e maior IMC. Mostrar a evolução desses números ao longo dos meses é a prova de que o seu treino está salvando a saúde dele.

uma mulher de meia-idade sorrindo durante uma caminhada rápida

Fenótipo da cintura hipertrigliceridêmica e exercício físico: da fisiologia à prática

O diagnóstico da cintura hipertrigliceridêmica não é uma sentença, mas um chamado para a mudança de estilo de vida, onde o exercício físico atua como a principal intervenção não farmacológica. Quando identificamos um aluno com cintura elevada e triglicerídeos altos, estamos diante de um quadro de disfunção metabólica e inflamação subclínica. O exercício atua diretamente nas duas frentes:

Combate à Gordura Visceral: Diferente da gordura subcutânea, a gordura visceral (medida indiretamente pela cintura) é extremamente sensível às catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) liberadas durante o esforço. O exercício físico mobiliza esses ácidos graxos para serem oxidados no músculo esquelético, reduzindo o volume abdominal e, consequentemente, o risco inflamatório.

Redução dos Triglicerídeos: O treinamento físico aumenta a atividade da enzima Lipoproteína Lipase (LPL) no tecido muscular. Essa enzima é responsável por “quebrar” os triglicerídeos que circulam no sangue para que sejam usados como energia. Por isso, é comum observarmos uma queda aguda e crônica nos níveis de triglicerídeos logo nas primeiras semanas de um programa bem estruturado.

Qual a melhor estratégia? A literatura sugere a combinação de Treinamento Aeróbio (fundamental para oxidação lipídica) com Treinamento de Força (aumenta a sensibilidade à insulina). Para o aluno com este fenótipo, o sucesso é medido pela fita métrica e pelo exame de sangue, não apenas pelo peso na balança

Na prática, o exercício reduz a gordura visceral e também o triglicerídeo. Além de outros marcadores… Sensacional, né??

Referencias:

Neeland IJ, et al. Visceral and ectopic fat, atherosclerosis, and cardiometabolic disease: a position statement. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019;7(9):715-725. doi: 10.1016/S2213-8587(19)30084-1.

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FAQ

Qual a forma correta de medir a cintura para identificar a cintura hipertrigliceridêmica?

A cintura é medida no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, diferentemente do abdômen, que é medido sobre a cicatriz umbilical. Para o PCH, a medida da cintura é a mais indicada por sua correlação científica com a gordura visceral profunda.

Por que a combinação de cintura elevada e triglicerídeos altos aumenta o risco cardiovascular?

Essa combinação indica um maior risco de aterosclerose (entupimento das artérias) devido à presença de partículas de LDL (colesterol ruim) menores e mais densas, que penetram mais facilmente nas paredes arteriais.

O exercício físico pode melhorar a cintura hipertrigliceridêmica mesmo sem uma perda de peso significativa?

Sim, o exercício pode promover uma melhora na composição corporal, reduzindo a gordura visceral e os triglicerídeos, mesmo que o peso na balança se mantenha estável devido ao ganho de massa muscular. A redução da cintura já é um indicativo de melhora metabólica.

Quais são os critérios técnicos para classificar a cintura hipertrigliceridêmica?

De acordo com as diretrizes, para homens, a cintura deve ser ≥ 90 cm e os triglicerídeos ≥ 150 mg/dL. Para mulheres, a cintura deve ser ≥ 85 cm e os triglicerídeos ≥ 150 mg/dL. É importante notar que esses pontos de corte podem variar conforme diretrizes e etnia.

Como o exercício físico atua no combate à cintura hipertrigliceridêmica?

O exercício físico combate a gordura visceral, que é sensível às catecolaminas liberadas durante o esforço, e reduz os triglicerídeos ao aumentar a atividade da enzima Lipoproteína Lipase (LPL), que “quebra” os triglicerídeos para uso como energia. A combinação de treinamento aeróbio e de força é a mais eficaz.

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