Hoje lidamos com obesidade abdominal, resistência à insulina, inflamação clínica de baixo grau e risco cardiovascular silencioso. Para enxergar e compreender isso melhor, precisamos de indicadores cardiometabolicos sensíveis e funcionais, especialmente aqueles que combinam variáveis simples e baratas.
É aqui que entram três marcadores ainda pouco usados, mas extremamente poderosos na prática clínica:
1️) Relação TG/HDL
2️) Índice Triglicerídeos-Glicose (TyG)
3️) Cintura hipertrigliceridêmica (até difícil de falar, sei que você tentou rsrsrsr)
Vamos conversar sobre cada um deles.
1. Relação TG/HDL.
A relação entre triglicerídeos (TG) e HDL-colesterol é um dos indicadores mais simples e ao mesmo tempo mais negligenciados da avaliação cardiometabólica.
Na prática, reflete:
- metabolismo lipídico alterado,
- resistência à insulina,
- maior risco cardiovascular,
- maior risco de diabetes tipo 2.
Quanto maior o TG e menor o HDL, pior o cenário metabólico.
Diversos estudos mostram que a relação TG/HDL está fortemente associada a:
- aterosclerose subclínica,
- eventos cardiovasculares,
- síndrome metabólica.
E o melhor: você calcula isso sem pedir nenhum exame adicional.
Basta dividir o valor dos triglicerídeos pelo HDL.
Esse marcador é especialmente útil em pessoas que “aparentam estar bem”, mas já apresentam alterações metabólicas silenciosas.

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2. Índice Triglicerídeos-Glicose (TyG).
Agora entramos em um dos indicadores cardiometabolicos mais interessantes dos últimos anos.
O Índice Triglicerídeos-Glicose (TyG) combina dois exames extremamente comuns:
- triglicerídeos,
- glicemia de jejum.
Ele é considerado um excelente marcador indireto de resistência à insulina, muitas vezes comparável a métodos mais complexos e até caros.
Por que isso é tão importante?
Porque medir insulina nem sempre é viável, acessível ou confiável na rotina clínica. O TyG surge como uma solução prática, barata e validada.
Na prática, valores elevados de TyG estão associados a:
- diabetes tipo 2,
- hipertensão arterial,
- doença cardiovascular,
- esteatose hepática (famosa gordura no fígado),
- maior mortalidade.
É um índice simples, mas extremamente informativo.
Para quem trabalha com exercício, saúde e prevenção, o TyG ajuda a identificar risco antes da doença se manifestar.
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3. Cintura hipertrigliceridêmica.

Esse indicador é um exemplo perfeito de como medidas simples podem ser poderosas, antropometria + indicador clínico.
A cintura hipertrigliceridêmica combina:
- perímetro da cintura elevado
- triglicerídeos elevados.
Essa combinação identifica indivíduos com alto risco cardiometabólico, mesmo quando outros exames parecem “normais”.
A cintura hipertrigliceridêmica está fortemente associada a:
- gordura visceral aumentada,
- resistência à insulina,
- inflamação crônica,
- maior risco de infarto e AVC.
Por que esses indicadores são tão úteis na prática clínica?
Porque eles:
- são fáceis de calcular,
- usam exames acessíveis,
- aumentam a sensibilidade da avaliação,
- ajudam na tomada de decisão,
- melhoram a comunicação com o paciente.
Quando você mostra esses índices ao paciente, a conversa muda.
Sai do “seu colesterol está ok” e entra no:
“seu risco metabólico já está aumentado e o exercício pode mudar isso”.
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Conclusão: risco cardiometabólico exige olhar além do óbvio
Relação TG/HDL, TyG e cintura hipertrigliceridêmica são ferramentas simples, acessíveis e cientificamente sólidas para enxergar o que os exames tradicionais muitas vezes não mostram sozinhos.
Gostou do nosso conteudo? leia O que realmente acontece com o corpo e com os telômeros, quando você treina por anos?
Referências
Tao LC, Xu JN, Wang TT, Hua F, Li JJ. Triglyceride-glucose index as a marker in cardiovascular diseases: landscape and limitations. Cardiovasc Diabetol. 2022 6;21(1):68. doi: 10.1186/s12933-022-01511-x.
Lemieux I, Pascot A, Couillard C, et al. Hypertriglyceridemic waist: A marker of the atherogenic metabolic triad (hyperinsulinemia; hyperapolipoprotein B; small, dense LDL) in men? Circulation. 2000;102(2):179-84. https://doi.org/10.1161/01.CIR.102.2.179.
FAQ
Os indicadores cardiometabolicos são marcadores que não fazem parte do “pacote clássico” (colesterol total, LDL isolado, glicemia simples), mas que oferecem uma leitura mais sensível do risco metabólico e cardiovascular, especialmente da resistência à insulina e da gordura visceral.
Porque muitas pessoas apresentam risco cardiometabólico elevado mesmo com exames tradicionais aparentemente “normais”. Esses indicadores ajudam a identificar risco silencioso, antes da doença se manifestar clinicamente.
É a razão entre os valores de triglicerídeos (TG) e HDL-colesterol, calculada de forma simples:
TG ÷ HDL